não me agrada muito
aquele conhecido culto
de ponderar,
e até atribuir,
com suposta exactidão,
qual a razão
da divina providência.
esse esforço infeliz.
não creio nesse culto.
mas também não creio
no culto da descrença.
esse outro também popular
porque nem esforço requer.
ora a divina providência,
por certo,
poderá nem divina ser.
poderá nem ter sido criada
por outra cousa, ente ou gente
porque existe por si só.
e existir, em si,
é já algo magnífico!
porque não existisse,
que era de nós?
o grande desígnio
tal como é,
onde moro,
tal como vejo,
e analiso,
por vezes,
maravilha-me.
o meu culto é o de sentir,
tudo sinto com igual intensidade,
sempre, e sempre elevada.
a derradeira razão de tudo isto
acontecer tal como acontece,
esta fixa sucessão de eventos,
poderá até ser mais que mil e uma,
poderá nem existir,
mas tudo isto decerto existe.
tudo isto existe,
incontrolavelmente.
e tendo em conta
a sua vasta dimensão,
incalculável ao certo
no seu todo,
no entanto calculada
em ordens de milhares
a cima da terra,
e tão pouco explorada,
é fútil debater porque razão
porque ainda tão pouco descobrimos.
mas se continuarmos,
havemos de continuar
a descobrir mais e mais,
porque é causa nobre.
tudo isto decerto existe
e é belo
verdadeiramente belo

culto da vida e das gentes by João Massada is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
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